Jeff, gaijin

Como um gaijin (estrangeiro) no Japão, eu sou o vingador, o nemesis de toda e qualquer existência.
A grande maioria dos japoneses nunca falou com um estrangeiro, e realmente, fugiriam de sua maneira ao evitar de fazer isto.
Alguns, entretanto, não possuem esta sorte.
Se você tiver um trabalho ou profissão de menor reconhecimento, em uma cidade grande como Tóquio (que é simplesmente o maior PIB da terra, comparável apenas a PAÍSES de primeiro mundo e cidades como Nova Iorque), você irá, vez ou outra trocar palavras com um de nós.
Embora isto não se torne um manual de ‘inicio da ansiedade excedente do gaijin no Japão’, por sim dizer, curiosamente, isto pode vir a ser útil para algumas pessoas, como um pouco de “amostra ou migalha do conhecimento ‘deles’, o qual sou parte”.
Óbviamente, se isto tivesse como alvo a utilidade, o texto deveria estar em japones, no máximo, em inglês ou esperanto:
Porém, todos sabemos (ou deveriamos saber) que este texto é mais para mim do que para vocês.

Existem vários ‘níveis’ a definir, sobre ‘encontros do gaijin’. Com o objetivo de tornar rápido e claro, utilizo os termos “Jeff” e “Sakura”, obviamente, o gaijin ‘padrão’ e a pessoa japonesa, respectivamente.

Esquecimento

Ao Sakura enxergar Jeff, seus olhos carregam um sinal que possui a informação sobre a aparência de Jeff a seu cérebro.
Ao receber o sinal, o cérebro de Sakura processa a informação e determina imediatamente que, por ser gaijin, Jeff não é de seu interesse.
Completamente sem relações. Nenhuma ação ou resposta é necessária.
Isto é mais real ainda, se Jeff estiver aproximando e/ou fizer o contato ocular.
Sakura precisará de muitas vezes mais citações sobre a existência de Jeff, do que se ele fosse japonês.

Congelamento

Ao perceber SE precisa ou não reconhecer a existência de Jeff, Sakura estará paralizada.
Será improvavel responder a qualquer estímulo externo e obviamente não entenderá parte do que Jeff estiver falando.

Medo

Logo após do congelamento, Sakura estará com picadas de medo em sua cabeça.
“Quem seria esta pessoa? Porque fala comigo?”, devem ser as primeiras perguntas a pairar em seu cérebro.
Este, ficará no cérebro, mesmo após processar o discurso de Jeff, e com isto será incapaz de compreende-lo ou o que este expressa.
Não importa nem mesmo o idioma utilizado.

Compadecimento

O final do medo não chega de forma vertical, produz uma curva que vai perdendo amplitude com o fator tempo.
No íntimo, porém, Sakura é renunciada ao fato de se comunicar com Jeff.
Seu cérebro lentamente buscará regenerar as palavras de Jeff, e se for em japones, tentar entender-las, talvez chegando a comunicação.

Resistência

Apesar de entender as palavras de Jeff, ficará no subconsciente que Jeff está falando em japonês.
Ao responder em japonês, mandará de forma anonima ao cérebro, que as palavras inglesas do vocabulário ajudem-na a compreender a discussão.
SE precisar ou não, utilizará de tal artificio. E tentará lembrar da mais incomum palavra estrangeira que conhecer, em especial gírias.
E ao lembrar de uma palavra inglesa, imediatamente esta, será incluida prontamente na mais complexa estrutura gramatical japonesa possível ou não de ser compreendida por um gaijin.

Susto

Ao Sakura notar que Jeff não necessita de ajuda quanto ao vocabulário japonês básico, entrará em choque por suas abilidades linguisticas (ó um turista que fala japones o.õ).
Não importa como realmente seja, elogiará por natureza, de forma clara, seu vocabulário.
Utilizará de frases simples como:

o ne do desu do ojozu do ga do nihongo ” - algo como “seu japonês é muito bom”
sugoi! ” - *cara de susto*

Se Jeff realmente possui sorte, o dialogo seguirá de forma suave e focando obviamente:
Onde estudou o japones, o que pensa sobre japão, história, japoneses e comida japonesa.
Se estes assuntos não forem citados, a conversação termina de forma brusca.
Cedo ou tarde, Sakura, convida Jeff para ‘continuar isto depois’ (ikimasho do ni do asobi do mata).

Renascer

Assim que o papo acabar, Sakura sentirá a diferença, e ao encontrar amigos, lhes contará como estava nervoso (shita do dokidoki!) e comentarão em como o ela consegue ser tão - kokusaiteki – (descubra sozinho o q é).
Mesmo com a fase do susto, prolongado ou não, NUNCA mais, procurará Jeff outra vez.
Como seu convite foi apenas uma forma social e educada, não há grandes remorços.
Se Jeff tentar lhe procurar futuramente, será tratado mais ou menos como a fase de resistência.
Isto é parte do que um gaijin deve suportar diáriamente, SE tiver sorte. [=
A alternativa é isolar-se completamente de contato humano, como alguns conseguem fazer.
Todo encontro DEVE e VAI ser iniciado pelo gaijin.
Porém isso é uma maravilha de realidade para nerds, motivo os quais, amam tanto o Japão.

O porque disso?

Somos um bando de masoquistas que compramos os acessórios, montamos o local e dizemos o “seja bem-vindo”.

Raiva? Ironia? Ilusão? Visão?
Loucura? Verdade? Paranóia?

Chame como quiser.

Falta aprendermos com eles o “See You Space Cowboy“.

É apenas pra incitar delirio em humanos e iniciar o movimento pós- ‘i love nippon’.
Tou cansado dos bastardos que cairam de para-quedas e acham q sabem de alguma merda.
Nada pessoal, é ironia PURA, mas se for repassar este, não há necessidade desta ‘explicação’.

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